Os desafios da Transformação Digital | 3

Reflexões e conclusões finais

A título de conclusão não tenhamos dúvidas que o Mundo Empresarial mudou e que os desafios da transformação digital são uma profunda oportunidade para todos nós e para a sociedade em geral. Vejamos:

  • A Venda, que está cada vez mais disponível em canais on-line, não é mais uma questão de produto ou preço. É uma questão de venda de conteúdos inteligentes e personalizados (no sector da hotelaria, por exemplo, “vendem-se” primeiro os benefícios – conteúdos, da região envolvente tornando-se a “venda da estadia” uma consequência natural do processo de negócio). Hoje é possível utilizar a montra digital como se de uma experiência real se tratasse (por exemplo, usando as vantagens da recente tecnologia de “realidade aumentada”);
  • O Produto é cada vez mais uma Experiência de Consumo;
  • O Preço, tradicionalmente fixo, é agora dinâmico e em real time, em função do canal utilizado (“showprice”). Concorrem também com os canais dos novos players digitais;
  • O MarketPlace (físico) é agora MarketSpace (e-commerce);
  • A Publicidade tradicional renasce nas Redes Sociais (o Word of Mouth transforma-se em World of Mouth);
  • Os Processos podem ser redesenhados incorporando as novas tecnologias disponíveis (o processo de negócio é, em si mesmo, o negócio);
  • Os Colaboradores sentem-se atraídos por empresas up-to-date. Estas devem, pois, saber atrair e desenvolver novos talentos, reforçando mais uma vez, que só com pessoas é possível realizar a transformação digital;
  • Os Clientes, crescentes nativos digitais (os nossos filhos), pretendem cada vez mais, Mobilidade, Conetividade e Segurança alavancadas em convenientes experiências digitais.
  • A informação deve ser valorizada enquanto um activo da empresa facilitador na criação e captura de valor e de novas oportunidades de receita.
  • A colaboração entre empresas e ecossistemas digitais é essencial para a agilidade e a flexibilidade de conexões, em amplitude de escala inéditas, com clientes e com o mundo.

Finalizo com um conjunto de reflexões e / ou preocupações que são, em si mesmo, oportunidades inerentes à transformação digital. Enquanto executivos, de forma transversal a qualquer área e a qualquer nível hierárquico das empresas, temos de estar preparados para lidar com “este futuro” que é já o nosso presente. Mais do que nunca, o poder de decisão é do comprador / cliente. É ele que decide o que compra, quando compra e onde compra. Temos forçosamente de compreender como a nova geração de nativos digitais interage com o mundo e o que espera das empresas. A aprendizagem do cliente no mundo virtual é diária e não coincide com a nossa calendarização de dinamização comercial. Temos pois de ser hábeis na nossa inovação e saber gerir e controlar o uso das novas tecnologias, potenciadoras de novos modelos de negócio que criem valor. Temos de avaliar e reavaliar constantemente a cadeia de valor das nossas empresas e desenhar e redesenhar os nossos processos de negócio de forma a ganharmos eficiência operacional e alavancar a captura de valor. Temos de saber preparar as nossas empresas, não só de ameaças catastróficas mas da gestão diária e da contínua ameaça tecnológica a que os sistemas tecnológicos estão sujeitos (sejam dados da empresa ou dos clientes). Temos pois de aprender a ser resilientes e a aceitar e controlar os novos riscos do mundo digital para podermos alcançar os nossos objetivos. Temos de equacionar a criação de uma nova função nas empresas, o Chief Digital Officer (CDO), que deverá participar na definição da visão, estratégia e objectivos digitais a instituir na empresa, em total alinhamento com a visão, estratégia e objectivos de negócios, e funcionar como um verdadeiro facilitador no processo de transformação digital (em coordenação com o IT).

 

Artigos relacionados
1. Enquadramento da Era Digital
2. Os múltiplos desafios da transformação digital

Blog FB_1

Fernando Braga, 8º Executive MBA AESE/IESE

 

 

 

Deixe o seu ComentárioO seu endereço de email não será publicado.