Melhorar a Vida – Um Guia de Marketing Social

Tenho vindo a assistir nos últimos tempos, com grande satisfação, a um reavivar de um tema que me é muito próximo e que faz parte, também, do meu crescimento pessoal e profissional na área do Terceiro Sector, que gostaria de partilhar – o Marketing Social.

A Fundação CEBI[1], desde a sua constituição, em 1968, foi sempre pioneira, e até destemida, nas suas ações. Esta atitude, que envolve todos os que têm o privilégio de poder Servir a Comunidade através de tão nobre Instituição, da qual muito me orgulho de partilhar o meu dia-a-dia, motivou-nos a termos a ousadia de avançar em 2001 a escrever e, posteriormente, editar o primeiro livro sobre Marketing Social em Portugal: “Melhorar a Vida – Um Guia de Marketing Social”.

Recordo o misto de sentimentos que nos assolaram enquanto equipa responsável por este projeto, de entusiasmo e, ao mesmo tempo, de inquietação, pois o desafio e a responsabilidade eram enormes. Em Portugal não existia bibliografia sobre o tema, o mundo académico ainda não integrava nos seus currículos a disciplina do Marketing Social.

O conceito do Marketing Social é relativamente recente, tendo sido introduzido em 1971 por Kotler e Zaltman no artigo, que foi considerado fundador do conceito: “Social Marketing: An Approach to Planned Change (publicado no Journal of Marketing). No entanto, é apenas em 1989 que surge a primeira obra nesta área da autoria de Kotler e de Ned Roberto – “Social Marketing: Strategies for Changing Public Behavior”.

Neste contexto, foram necessários 3 anos de muita pesquisa, de estabelecimento de parcerias transnacionais[2], de trabalho árduo, para concretizar o nosso objetivo. Foi um projeto muitíssimo compensador!

Em 2004, publicámos o livro “Melhorar a Vida – Um Guia de Marketing Social” e estamos agora a reeditá-lo. O objetivo a que nos propusemos alcançar foi claramente atingido. Este Guia, que pretendia ser um instrumento de trabalho destinado aos diversos agentes que atuam na área da empregabilidade, conseguiu ser muito mais. Permite ao leitor uma viagem!

Nos últimos anos o conhecimento do Marketing Social em Portugal tem vindo a aumentar. Exemplo disso tem sido a sua incorporação, designadamente, em diversos Cursos de Pós-graduação e na realização de Workshops, Seminários e Conferências, como a que se realizará em Novembro deste ano em Lisboa, sendo a primeira Conferência Europeia de Marketing Social. Tenho a consciência que há muito caminho a percorrer, mas estes eventos, bem como a publicação de livros, evidenciam o interesse crescente sobre Marketing Social. Só assim se pode compreender uma reedição do livro “Melhorar a Vida – Um Guia de Marketing Social” da Fundação CEBI.

Sou suspeita, é um facto! Mas este é um livro que deve ser lido por todos e não somente por quem se interessa por este tema ou que desenvolva a sua atividade nestas áreas.

Deixo-vos aqui o convite!

Carla Gil
10º Executive MBA AESE/IESE e 1º GOS
Diretora Adjunta do Departamento Administrativo, Financeiro e de Planeamento da Fundação CEBI


[1] Instituição Particular de Solidariedade Social – www.fcebi.org

[2] ADAPEI 44 (Nantes), SIDE/ORBEM (Bruxelas), Elo Social (Lisboa), Junta de Freguesia de Alverca, Espaço e Desenvolvimento – Estudos e Projetos, Lda. e CCS – Cultura e Comunicação Social.

Voluntária, eu?

Há coisas que não faço por dinheiro nenhum. Mas posso fazê-las porque sim, na minha casa, à minha família, aos meus amigos. Como posso fazê-las ao mais pobre dos pobres, maltrapilho e malcheiroso, doente ou incapaz. Aqui, estou a dar uma parte do meu tempo, das minhas energias, do que sei, do meu descanso ou das minhas férias. E faço-o a troco de nada, só porque reconheço nesse ser outra pessoa. Estou a dar uma parte da minha vida, uma parte de mim. Começo então a fazer voluntariado.

O voluntariado é das atividades mais nobres a que posso dedicar-me. Hei de desempenhá-lo com a mesma competência que procuro ter no trabalho profissional remunerado que me garante o sustento.

A maior parte das pessoas precisa de trabalhar para viver, não pode dar-se ao luxo de trabalhar todo o dia a troco de nada – penso que, se pudesse, devia fazê-lo. Mas pode ajudar livremente quem está ao lado e precisa.

O voluntariado não é um must curricular de jovens com elevado potencial – isso seria investimento for profit futuro.

É um dos mais valiosos recursos humanos. Associado à capacidade criativa pode ajudar a ultrapassar a gravíssima situação – financeira, ética, humana – que atravessamos.


Beatriz Abreu
,
11º PDE e Diretora do GOS.
Publicado na revista “Aposta” nº105 de abril de 2012