Reflexões em fim de PADE
0. O PRINCÍPIO
1. A ILHA
2. INTELIGÊNCIA
3. A METAMORFOSE
4. O FIM
37º PADE e Direcção de Informação e Consumidores da ANACOM
0. O PRINCÍPIO
1. A ILHA
2. INTELIGÊNCIA
3. A METAMORFOSE
4. O FIM
O Presidente do Jaipur Foot (JF) reunira alguns voluntários para irem ao Iraque colocar próteses de pé ou perna nos necessitados. Na primeira semana tinham feito e ajustado 300 próteses. Os que apareciam em cadeira de rodas ou de muletas regressavam pelo seu próprio pé…
Muitos esperavam uma prótese há mais de um ano; num teatro de violência não havia forma, mesmo pagando caro. As do JF são quase oferecidas e o custo de produção é de $35, quando algo parecido custa $8.000 nos EUA. O JF já as faz há 40 anos, com aperfeiçoamentos e em grande quantidade. Colocou mais de 300.000, atendendo hoje 20.000 pessoas por ano.
O cirurgião ortopédico, Dr. Sethi, do Hospital de Jaipur, pedira ao escultor Ram Chandra para fazer pés artificiais. Ele assim fez e foi introduzindo melhorias na funcionalidade usando borracha e madeira envolvidos em poliuretano, simulando a forma do pé, a sua consistência, os movimentos. Hoje o molde do coto faz-se com uma máquina de vácuo e a perna com moldes de areia, reduzindo o tempo de feitura e com boa adaptação da prótese, pois o rigor das formas evita atritos e incómodos.
Na sua vida útil, de 5-6 anos, a prótese não necessita de manutenção; permite andar em terrenos lamacentos das várzeas, subir às árvores, correr, andar de bicicleta, etc. Quem vá ao JF é atendido com profissionalismo: chegando a uma qualquer hora da noite é recebido com delicadeza, oferecendo-se-lhe uma refeição quente e uma marqueza para descansar, até à hora da consulta, sob a supervisão médica. Paga quem pode e os donativos cobrem o resto.
A partir de 1975 o JF foi crescendo. Com o Dr. Mehta, seu Presidente e com o sentido empreendedor, o que estava limitado a Jaipur, conta hoje com 16 brigadas móveis, prestando serviços pelo país. Tem centros de operação nos países vizinhos e conta com 60 fornecedores, fabricantes de ‘pés’.
O JF recorreu à colaboração de instituições científicas para melhorar: o ISRO-Indian Space Research Organization fornece materiais ultra-leves usados na exploração espacial, muito resistentes, para a estrutura da perna; pesam pouco e aguentam o peso do corpo. A Universidade de Stanford desenhou uma articulação mais eficaz, para o joelho.
No Iraque, uma nova esperança crescia: mães a chorar de emoção diante de filhos que não andavam há anos, a fazerem-no agora; soldados curtidos na luta esperavam a sua vez, enquanto davam vivas de alegria ao verem cada aleijado deixar as muletas e andar por si!
Eugénio Viassa Monteiro
Professor da AESE, Presidente da AAPI e autor do livro “O Despertar da Índia”.